Estava com uma expectativa muito boa para o evento, não só pela luta do Anderson x Vitor, mas pelo card do main event ter sido muito bem casado, como há tempos não via no UFC.


Antonio Banuelos e Miguel Torres foi sofríver de assistir, sorte que foi a única hora do evento que deu sono, e foi logo no início (só nas fotos essa luta foi boa mesmo).

O evento começou mesmo com Ryan Bader contra Jon Jones. O primeiro vinha de vitórias contra o Keith Jardine (UFC 100) e Minotouro (UFC 119). Jon Jones, promessa e pela primeira vez no evento principal do UFC, vinha de vitórias contra Brandon Vera e Vladimir Matyushenko, ambas por nocaute técnico. Luta bastante movimentada, tanto em pé quanto no chão e, desde o início, Jones foi superior e não deu chance em momento algum para Bader. No segundo round, ainda dominando fácil a luta, ele conseguiu encaixar uma guilhotina e finalizou o adversário.

A surpresa da luta foi, ao final, ser anunciada a contusão de Rashad Evans e Jon Jones irá substituí-lo na disputa de título contra o brasileiro Mauricio Shogun, que será agora em 19 de março (!!). Exclamações para o fato de Jones terá pouco mais de um mês para se preparar. Shogun disse que não mudará seu treinamento e Dana White diz que Jones consegue subir ao octagon nesse curto período por ter 23 anos. Minha opinião é que é muito cedo para um title shot de Jones mas a bolsa de apostas já o vê como favorito.


Próxima luta: Forrest Griffin contra Rich Franklin. Griffin, vindo de um derrota para Anderson Silva, que praticamente humilhou na luta, e uma vitória sobre Tito Ortiz, que clarmente está em fim de carreira. Rich Franklin, praticamente um clone de Jim Carrey, vinha de derrota par Vitor Belfort por TKO e uma vitória muito boa sobre Chuck Lidell, que quebrou o braço de Franklin no primeiro round mas continuou lutando e ganhou por nocaute. Essa também foi uma luta muito boa e, também, só um lutador lutou. Griffin dominou o centro do octagon desde o primeiro round, soltava chutes e sequencias de socos que deixou Franklin tonto e a ponto de ser nocauteado mais de uma vez na luta.

A parte mais engraçada da luta ficou por parte da entrevista de Forrest Griffin no final da luta: Joe Rogan perguntando sobre os livros que ele lançou e estão vendendo muito bem.


Tensão aumentanto para a luta principal mas o cartel dos dois lutadores já mostrava quem era o favorito: Spider vinha de vitórias desde abril de 2006 no Cage Rage (perdeu em janeiro de 2006 desclassificado por golpes ilegais). Desde lá lutou 13 vezes e foram 5 nocautes (incluindo Griffin e Franklin da luta anterior), 3 nocautes técnicos (incluindo uma segunda luta contra Franklin), 3 por finalização (incluindo aquela espetacular sobre Chael Sonnen) e 2 deciões unânimes. Vitor também não perdia desde 2006, quando perdeu para Dan Henderson no finado Pride. Lutou 5 vezes: 2 nocautes, 2 nocautes técnicos (incluindo Rich Franklin) e uma decisão unânime. A diferença ficou no número de lutas e a qualidade dos adversários que os dois enfrentaram: Anderson pegou MUITOS lutadores de peso. Vitor Belfort fazia a segunda luta no seu retorno para o UFC.
Main event of the evening (como diz Mike Goldberg) começando cheio de tensão: Anderson foi bastante evasiso na coletiva dois dias antes do evento e até pouco humilde dizendo que a luta do século seria ele contra ele mesmo. Na pesagem Anderson continuou mostrando seu lado provocativo levando uma máscara, provocando Belfort que disse que ele é muito mascarado. Claramente a torcida americana estava ao lado de Belfort: ovacionado desde sua entrada até o início da luta com gritos “Vitor, Vitor”. Anderson, novamente, foi vaiado na sua entrada e, novamente, mostrou tranquilidade e concentração entrando no octagon.

Encarada pesada no início da luta e Mario Yamasaki foi o árbitro dentro do ringue, também brasileiro e finalizando com um “Então, vamos para a briga” em português mesmo.
Começa a luta e os dois lutadores se estudaram bastante e o Vitor toma iniciativa pela explosão que tem e Anderson já começou levando vantagem com sua envergadura e esquiva. Belfort ainda consegui acertar alguns socos (não sei se foram 2 ou 3) e conseguiu derrubar Silva, que rapidamente se levantou com uma postura mais agressiva. Aí Anderson provou que as estatísticas estavam certas (ele acerta cerca de 70% dos golpes que desfere): deu um chute frontal que foi certeiro no queixo de Belfort.

Pra mim, Vitor caiu nocauteado já: braços baixos e perna mole. O Spider não teve dificuldade nenhuma de afastar as pernas do adversário (com uma velocidade bastante lenta até) e dar dois socos para a interrupção de Yamasaki. A parte chata ficou em não poder escutar Mike Goldberg falando: “It’s all over!”.
Assim como no final da luta contra Sonnen, o Anderson mostrou humildade e mostrou que tudo que veio antes do evento faz parte do show. E mostrou também que ainda não conhecemos um adversário que pode vencê-lo.
A ideia do evento agora é colocá-lo contra George St. Pierre, considerado, junto com Anderson, um dos melhores pound-for-pound do UFC. Ele já ganhou de Griffin que é mais pesado que ele (mínimo de 15 kg) agora vão colocá-lo contra o campeão da categoria de peso abaixo da sua.
Pra mim, dá Anderson de novo.
Ah, antes que me acabe: sugiro a leitura de: O dia em que Anderson Silva parou o Brasil que conta como estava a expectativa dos brasileiros e como aumentou os fãs do esporte no nosso país.
Fonte da maioria das imagens: UFC 126 Gallery
Fonte da imagem do chute do Anderson: Update or Die